Nascido em 10 de julho de 1936, na cidade de Bambuí, aos 15 anos Alysson Paolinelli deixou a sua cidade natal para cursar o ensino médio no Instituto Presbiteriano Gammon, em Lavras.
Em 1955 iniciou o curso de Engenharia Agronômica, por vocação, mas também influenciado pelo pai, Antônio Paolinelli de Carvalho, que também era agrônomo. Durante o curso, teve uma grande atuação na política estudantil, sendo Presidente do Diretório Acadêmico nos anos 1956 a 1958. Em 1959, Paolinelli formou-se engenheiro agrônomo pela Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL) e iniciou a sua jornada acadêmica. Foi convidado pelo diretor e professor John Henry Wheelock para lecionar na ESAL como professor de hidráulica, irrigação e drenagem nessa mesma instituição, atuando até 1990. Como professor, teve forte atuação no processo de federalização da Escola, concluído em 1963. Entre os anos de 1966 e 1967, Paolinelli assumiu o cargo de vice-diretor da ESAL e, de 1967-1971, assumiu como diretor. Na sua atuação acadêmica, sempre dedicou e incentivou estudos sobre o potencial da região do Cerrado para a produção agrícola.
Em 1969, a convite do governo dos Estados Unidos, visitou universidades e centros de pesquisa e produção. E isso foi inspirador para ações que viria a implantar no futuro.
A vida política iniciou em 1974, como secretário de Estado de Agricultura de Minas Gerais, e foi marcante a sua atuação na renovação de métodos para ampliar safras, conseguindo, assim, fazer do estado o maior produtor de café.
De 1974 a 1979, o mineiro foi ministro da Agricultura. Quando ministro, modernizou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), transformando-a numa grande instituição geradora de conhecimento e tecnologia. Também foi responsável pelo desenvolvimento do Proálcool. Como ministro, identificou sérios problemas do abastecimento interno, o que o levou a definir como prioridades a autossuficiência brasileira na produção de grãos e, como visionário, contribuiu para transformar o País em exportador.
“O que tínhamos que fazer era criar uma Agricultura Tropical... Eu precisava de um grande esforço governamental pois o nosso Ministério da Agricultura, ele era fraco para a missão que eu entendia que ele tinha que realizar. O presidente concordou em fortalecer... e assim, nós conseguimos não só fazer o plano para o Brasil produzir, como também conseguimos normalizar o abastecimento brasileiro...” (Alysson Paolinelli. Fonte: Entrevista ao Cana Rural)
Conseguiu, então, ampliar significativamente os recursos destinados a investimentos na agricultura e à política de garantia de preços mínimos para os produtores rurais.
Pelo seu caráter incentivador da pesquisa, ciência e tecnologia, iniciou um audacioso programa de treinamento, enviando técnicos brasileiros da Embrapa, instituições estaduais de pesquisa e professores de instituições de ensino superior para diversos centros de pesquisa em agricultura pelo mundo, com missão de trazer ao País conhecimentos que pudessem ser aplicados à agricultura tropical.
Posteriormente, presidiu a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e elegeu-se deputado federal por Minas Gerais nas eleições de 1986, fazendo parte da Assembleia Nacional Constituinte, de 1987 a 1988. Foi chefe da Delegação Brasileira na Conferência Mundial de Alimentos da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) e presidente da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior do Brasil.
Em 2006, Paolinelli foi laureado com o prêmio World Food Prize, que condecora personalidades que contribuíram significativamente para o aumento da qualidade e da quantidade de alimentos no mundo. Foi também presidente executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) e do Instituto Fórum do Futuro, além de embaixador da Boa Vontade do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). Em 2021, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz pela contribuição e dedicação à agricultura tropical, segurança alimentar e sustentabilidade que as novas tecnologias trouxeram à produção de grãos no Cerrado brasileiro em larga escala.
“Através do conhecimento, da pesquisa, da evolução, aprendemos a corrigir, a modificar a estrutura química e física do solo e manejar aquele bioma (cerrado) e ele se transforma em pouco tempo no mais produtivo e competitivo que a Terra já viu”. (Alysson Paolinelli. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=6GkTMPuJ5nA)
Por toda a sua atuação, que proporcionou o desenvolvimento da agricultura nacional, levou futuro ao cerrado brasileiro, por meio de uma verdadeira revolução verde. Essa transformação da agricultura no Brasil levou-o a ser considerado o Pai da Agricultura Tropical.