A suinocultura brasileira iniciou-se com porcos para banha, tipo Caruncho, Sorocaba e Piau. Dr. Benjamim Hunnicutt conseguiu por doação de criadores americanos dois reprodutores suínos e uma matriz Bershire, além de um suíno macho Poland-china. Foram trazidos também suínos da raça Duroc-Jersey.
A revista O Agricultor de junho de 1922, traz um artigo de Dr. Benjamim Hunnicutt relatando o resultado de uma experiência feita com porcos puro sangue Duroc Jersey, porcas comuns e leitões comuns. Os porcos foram tratados com alimentos como milho, mandioca, farelinho, pastagem e com um “alimento para porcos”, para se analisar qual o melhor ganho de peso.
O Dr. G.A. Roberts, médico-veterinário e professor de Biologia na Escola Agrícola de Lavras, é autor de um artigo no qual destaca a importância da ministração de vitaminas, minerais e de raios ultravioleta para animais, incluindo os suínos (O Agricultor, 1927). Em outro artigo de sua autoria, já como diretor do Serviço de Veterinária de São Domingos, América Central, relata a ameaça dos vermes à criação lucrativa de suínos (O Agricultor, maio-junho, 1938)
Imagem da capa de “O Agricultor”, outubro de 1922, mostrando um grupo de porcos “Duroc-Jersey” da Escola Agrícola de Lavras que havia sido vendido a um só agricultor. No artigo “O porco e sua criação lucrativa” (O Agricultor, 1932), o Dr. B. Hunnicutt, lança uma campanha para intensificar duas fontes de riqueza: o milho e os porcos. Assim ele explica :
"O porco é o animal doméstico que melhor proveito tira dos
alimentos que recebe, e que pode ser alimentado com a maior
variedade de productos da fazenda. O porco obtem em carne, com
100 kilos de alimento, de duas a tres vezes mais do que peso que o
boi adquire com o mesmo alimento. Devido à sua fecundidade,
augmenta-se rapidamente a criação. Principiando com uma porea
de cria apenas, podem-se ter 200 cabeças no fim de tres annos. Os
sub-productos de laticínios, os refugos da horta e os pastos são
muito aproveitados na criação de porcos. O couro do porco é o
melhor sacco em que se pode vender milho. Precisamos criar
porcos para termos a banha e a carne. Em todas as fazendas,
devem ser engordados alguns cevados todos os annos. As fazendas
de grande producção de milho deviam engordar grande numero de
porcos. Já temos fazendas que engordam de 300 a 500 cabeças por
anno, mas devemos ter as de 1.000 a 3.000. As instrucções simples
desta serie de artigos que “O AGRICULTOR” está publicando,
são escritas para ajudar àquelles que desejam tratar desta criação,
a qual, quando bem feita, é muito lucrativa."
Em 1950, o setor realizou a importação do primeiro animal de raça pura, um DUROC, por intermédio de John Henry Wheelock, na administração de Alcebíades Guarita Cartaxo. Este animal foi o primeiro Duroc a ser importado por uma instituição pública no Brasil. E também se investiu em pesquisas com animais da raça Piau e outras raças para carne.
(Fonte: Acervo Museu Bi Moreira UFLA).
Ao fundo, vista parcial da cidade de Lavras (Fonte: Acervo Museu Bi Moreira UFLA).
O Setor de suinocultura da ESAL iniciou suas atividades com animais confinados próximo à linha férrea, onde hoje está instalada a Incubadora de Empresas da UFLA. Na ESAL, com a construção do campus novo e do prédio do Departamento de Zootecnia, um novo setor de suinocultura foi construído por volta de 1963. Sob o comando do prof. Márcio de Castro Soares, no setor de suinocultura eram criados animais das raças Duroc (DR), Landrace (LD), Large White (LW) e Pietrain (PT). Um dos projetos de pesquisa era utilizar as raças puras para produção de um tree-cross que fosse produtivo e apresentasse resistência para ser criado em piquetes e substituir o Piau. Na década de 2000, o rebanho chegou a cerca de 60 matrizes em ciclo completo, utilizando apenas híbridos comerciais. A meta atual (2025) é manter entre 20 e 25 matrizes no rebanho, com exemplares das principais raças puras (LW, LD, DR, PT) e híbridos comerciais utilizados no Brasil. Em 2002 foi criado o Núcleo de Estudos em Suinocultura - NESUI, cujas atividades são fundamentais para o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão que são desenvolvidas pelo setor de suínos. Dentre as parcerias firmadas para melhorar as condições de pesquisa, em abril de 2006, foi formalizado um acordo de cooperação técnico-científico entre UFLA e TOPIGS, com o intuito de melhorar o padrão genético dos animais utilizados no setor de suinocultura. Esta parceria foi importante para o aprimoramento no ensino e na pesquisa do setor de suínos e formação dos estudantes.
A Universidade Federal de Lavras, com mais de cem anos de tradição, vem colaborando com o crescimento do Brasil, gerando resultados e tecnologias que ajudam no desenvolvimento e sucesso do agronegócio. O setor de suinocultura da UFLA contribui com a boa formação de estudantes que serão agentes transformadores de processos relacionados à produção de suínos em diferentes regiões brasileiras. É com este pensamento, que a equipe do setor de suinocultura da UFLA, vem buscando melhorar as condições de ensino, pesquisa e extensão, para acompanhar e colaborar para o desenvolvimento da suinocultura no Brasil.
Chefes do Setor de Suinocultura da ESAL/UFLA
Outras imagens – Suínos e suinocultura na EAL/ESAL
Suinocultura - Provavelmente na Escola Agrícola de Lavras
Referências
HUNNICUTT, B.H. O porco e sua criação lucrativa. O Agricultor, fevereiro, 1932.
p.11-13.
ROBERTS, G.A. Vitaminas, Minerais e Raios ultra-violeta. O Agricultor, anno VI, n.5,
1927. p.10-11, 27.
ROBERTS, G.A. Vermes, uma ameaça à criação lucrativa de suínos. O Agricultor,
maio-junho, 1938. p.24-26.