Antônio Pereira Lima nasceu em 16 de dezembro de 1924, na cidade de Ijaci, no estado de Minas Gerais. Casou-se com Clarice Ribeiro Lima, com quem teve cinco filhos, dentre eles, José Maria de Lima, professor aposentado da UFLA, Luiz Antônio Lima, também docente da UFLA, Sônia Maria de Lima Salgado, Engenheira Agrônoma e pesquisadora da Epamig, além de mais duas filhas que não são egressas da ESAL/UFLA. Uma delas, Maria José foi funcionária da FAEPE e a outra, Ana Maria é professora do ensino fundamental do Instituto Gammon.

Antes de sua atuação na ESAL, a família morou em Campos Altos-MG, onde trabalhou como carpinteiro e na lavoura. Retornou para Lavras para oferecer melhores condições para os filhos, quando iniciou sua atuação como motorista na ESAL, antes da federalização. Atuou como motorista do então diretor, o prof. Alysson Paulinelli, e do prof. Alfredo Lopes, entre outros, estabelecendo uma forte amizade entre eles.

Na época da federalização, em 1963, a ESAL funcionava com 18 professores e 30 servidores técnicos; tempos difíceis que contaram com o suporte de diversos comerciantes de Lavras por mais de ano no fornecimento, principalmente, de alimentos.   

Sr. Antônio, em suas horas vagas, era marceneiro, atividade que aprendeu com os irmãos mais velhos, exímios fabricantes de carros de boi, monjolos, rodas d’água e engradamentos de casas, além de móveis (abaixo, duas das principais ferramentas empregadas em seus trabalhos – enxó e uma das garlopas). Tinha nos fundos de casa uma marcenaria e praticava com destreza a arte dos tempos de Campos Altos. Certa vez, construiu uma estrutura em pequena escala de um modelo de casa, com medidas muito precisas, encomendada pelo prof. Carlos Frederico (Departamento de Engenharia) para ser utilizado em suas aulas de construções. Após se aposentar como motorista, prosseguiu trabalhando como marceneiro.

Sr. Antônio, trabalhando na sua marcenaria depois de se aposentar da UFLA.

Enxó e uma Garlopa (plaina) com as iniciais APL - Antônio Pereira Lima, com as quais construiu muitos engradamentos de telhados em Campos Altos (Foto: José Maria de Lima)

 Sr. Antônio era um homem muito quieto – falava muito pouco. De olhar sereno, porém expressivo, conseguia equilibrar boas conversas e se fazer entender por aqueles à sua volta. Transmitia sua personalidade equilibrada, carismática e com grande capacidade de comunicação não-verbal e verbal; transmitia calma e serenidade, mas ao mesmo tempo era comunicativo e intenso através do olhar. Apesar de falar pouco, sempre gostou de estar rodeado de pessoas. 

Entre os anos de 1967 e 1970, era comum os alunos do 3º ano do curso de Agronomia fazerem uma viagem, normalmente para o Sul do país e o Sr. Antônio, era o motorista do grupo em boa parte dessas viagens. O roteiro incluía o sul do Brasil, Buenos Aires, passando pelo Uruguai e outras paragens.

Depois do ato de Federalização, Sr. Antônio foi o motorista que conduziu o Prof. Alysson Paulinelli em uma “Rural”, à Belo Horizonte, para buscar o dinheiro para o pagamento dos servidores que haviam ficado quase dois anos sem receber os salários.

Como motorista, teve grande atuação na construção da “Escola Nova”, dirigindo caminhões, em inúmeras viagens a Ijaci-MG, para buscar o cascalho para a construção da nova pista; Pedro Leopoldo-MG para transportar cimento para a construção dos primeiros prédios do “campus novo”.

Ele atuou ainda como chefe do Setor de Transportes que ficava na área onde atualmente está o Ministério da Agricultura no campus histórico, estendendo-se até a PRAEC, compreendendo também a área das oficinas mecânicas. Na época, também atuavam no setor três mecânicos, incluindo o Sr. Erasto Emerick.

Digno de nota, em sua última missão como motorista, em 1987, Sr. Antônio foi escalado para conduzir os alunos em uma aula prática, ministrada pelo seu filho, o prof. José Maria de Lima. Ao finalizar, ele informou ao filho: “este foi o meu último ato nesta maravilhosa instituição, amanhã estarei aposentado”

Brasília, de uma das excursões. Entre os presentes na foto, o Sr. Antônio (à direita) e então estudantes Nadir e Vitor Bahia, entre outros.

 

* Informações extraídas de entrevista com o Prof. José Maria de Lima em 08/10/2025.

 

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