A Escola Agrícola, criada em 1908, foi transferida para a nova sede em 1922, com a construção dos novos prédios. A área central foi utilizada inicialmente para aulas práticas e exposições, mas, a partir da década de 1930, começou a receber ajardinamento, culminando com um jardim bastante elaborado, como demonstrando em imagem de 1942.
Vista do jardim - 22/01/1942 - Arquivos do Museu Bi Moreira
Toda a história desta praça, assim como as transformações ocorridas ao longo dos anos é contada no texto Praça do Câmpus Histórico. Não se tem registros informando sobre o projeto ou quem foi responsável por elaborar e implantar este jardim.
Durante muitos anos, também não se registrou quaisquer informações sobre paisagismo no câmpus da Escola. Mas, em 3/9/1975, na reunião da Congregação da Escola Superior de Agricultura de Lavras, a falta de arborização do câmpus foi um tema apresentado pelo professor Geraldo Aparecido de Aquino Guedes, mencionando o comentário de um visitante português, assim como também já queixado por outros visitantes.
Extrato da Ata da Reunião da Congregação da Escola Superior de Agricultura de Lavras, de 03/09/1975
Com a criação do novo câmpus, também era demandando o embelezamento, com a formação de jardins e a arborização das vias. Assim, uma comissão foi estabelecida, sob a presidência do professor Antônio Cláudio Davide, do Departamento de Agricultura, área de Viveiros Florestais, e composta pelo professor Evandro Menicucci, arquiteto e professor de Desenho Técnico, e pela desenhista Vera Lúcia Botelho Salgado. Esta comissão, estabelecida por meio da Portaria nº 4 da Prefeitura do Câmpus – ESAL, assinada pelo então prefeito do Câmpus, professor José Francisco Rodarte, seria responsável pelos serviços de paisagismo, incluindo projetos e fiscalização de implantação e manutenção.
Portaria nº 04, 22/09/1980
Nessa época ainda não havia profissionais com a especialidade em paisagismo na Escola. Assim, para melhor atuação desta comissão, a desenhista Vera Lúcia, em 1980, realizou um estágio no Departamento de Parques e Jardins – Du/NOVACAP, em Brasília-DF, com ênfase em produção de plantas ornamentais, herbáceas, arbustivas e arbóreas, projetos, implantação, conservação e irrigação de áreas verdes.
Ao final do referido estágio, foi conseguida a doação de sementes e mudas de espécies ornamentais, as quais foram transportadas em uma caminhonete, cedida pela Faepe, na gestão do então professor João Márcio de Carvalho Rios. Esse material foi enviado ao Viveiro de Plantas Ornamentais do Departamento de Ciências Florestais para, posteriormente, ser implantado nos locais adequados.
No câmpus novo, construído na década de 1970, foi feito um canteiro central, dividindo os dois sentidos da avenida principal. Neste canteiro, com área aproximada de 2 hectares, foram plantadas espécies arbóreas nativas e exóticas, sempre de forma agrupada. Um estudo já foi realizado e publicado em 2004, identificando e caracterizando estas espécies.
Mas, somente a partir de 2008 os projetos de ajardinamento se intensificaram, durante a gestão como reitor do professor Fabiano Ribeiro do Vale. Nesta época, foi criada a Assessoria de Paisagismo, sob a responsabilidade da professora Patrícia Duarte de Oliveira Paiva que, juntamente com a desenhista Vera Lúcia Botelho, desenvolveram e implantaram, com auxílio de muitos jardineiros, projetos paisagísticos em todos os jardins do câmpus. O primeiro jardim elaborado foi o do Marco 90 anos, na área em frente à Biblioteca Central.
Depois deste, muitos jardins foram feitos. A cada novo prédio construído ou mesmo nas áreas dos prédios existentes, um jardim foi planejado e implantado, tornando, assim, o câmpus UFLA num espaço muito prazeroso para estudar e trabalhar.
Alunos em momento de descanso - Foto: Patrícia Paiva,10/04/2012
Jardim interno do Departamento de Biologia - Foto: Patrícia Paiva, 26/02/2018
Jardim do Restaurante Universitário - Foto: Patrícia Paiva, 10/10/2013
Azaleias do Setor de Fisiologia Vegetal - Foto: Patrícia Paiva, agosto/2022
Jardim do Departamento de Solos - Foto: Patrícia Paiva, 26/02/2018
Ipês-rosa na Avenida das Goiabas - Foto: Patrícia Paiva, Setembro/2022
Caramanchão na área da Cantina Universitária - Foto: Patrícia Paiva, 05/04/2023
Nas atividades de paisagismo, o importante é criar áreas que sejam agradáveis aos usuários, oferecendo beleza, conforto, lazer, sempre em harmonia com a natureza.
Com a instalação da Coordenadoria de Paisagismo (2014), vinculada à Pró-Reitoria de Infraestrutura e Logística (Proinfra), técnicos foram contratados para exercer as atividades. Assim, já atuaram nesta função Lívia Cristina Coelho e Thalita Maciel.
Desde 29/11/2022, a professora Patrícia Paiva retornou a atuar como responsável pelas atividades de paisagismo do câmpus, contando com auxílio do responsável pelos jardineiros, Jerry Adriani da Silva, e da equipe de jardineiros e auxiliares para implantação e manutenção dos jardins. Os estudantes também têm participação ativa, treinando em atividades de produção de mudas, auxílio no desenvolvimento de projetos e implantação dos jardins, por meio do Projeto de extensão Florir-UFLA.
Alunos auxiliando na implantação de jardim - Fotos: Patrícia Paiva
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- Escrito por: Patrícia Paiva e Vera Lúcia Botelho. Revisão: Ana Eliza Alvim
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- Escrito por: cleison
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Ao longo da história da EAL, ESAL e UFLA, algumas árvores se tornaram símbolo e foram associadas a aqueles que protagonizaram grandes realizações.
Em “A Saga Esaliana”, texto de autoria de Sílvio (Bi) Moreira, publicado no jornal “Acrópole” de 05/09/1987, o autor faz uma síntese desta história por meio de árvores, realizando essa correspondência.
A SAGA ESALIANA
1869 - 1893
AO CALOR DA LAREIRA
Se o lume aceso em Campinas, em 1869, não tivesse sido preservado e transferido para Lavras, em 1893, não haveria o Instituto Evangélico e, dentro dele, a figura carismática de Samuel Rhea Gammon, que chegou ao Brasil, em 1890.
1908 - 1922
À SOMBRA DO JATOBÁ - Sonho e realidade
Percorrendo uma vasta região, muitas vezes a cavalo, o Dr. Gammon sentia a necessidade de ser racionalmente explorado o solo brasileiro e numa de suas viagens aos Estados Unidos, convidou o jovem agrônomo Benjamin Harris Hunnicutt, que se integrou ao trabalho missionário, chegando ao Brasil em 1907 e instalando, no ano seguinte, na chácara Dr. Jorge(*), à sombra do velho jatobá, que já era árvore frondosa e em cujos troncos e galhos, que se transformaram num arquivo vegetal, os alunos inscreviam as iniciais de seus nomes.
1922-1942
À SOMBRA DO ÓLEO COPAÍBA - A casa própria
O sonho acalentado à sombra do jatobá atravessou o córrego e, em 1920, lançou-se a pedra fundamental do prédio Álvaro Botelho, inaugurado em 1922. Era a casa própria anelada pela primeira geração.
1942-1963
À SOMBRA DA PALMEIRA - O crescimento e o cinquentenário
O sonho acalentado à sombra do jatobá atravessou o córrego e, em 1920, lançou-se a pedra fundamental do prédio Álvaro Botelho, inaugurado em 1922. Era a casa própria anelada pela primeira geração.
1942-1963
SOMBRA DA PALMEIRA
O crescimento e o cinquentenário
1963 ad infinitum
ACIMA DA COPA DA PALMEIRA
A federalização e a expansão.
*Atual câmpus Chácara, do Instituto Gammon.
Ainda, a cada um destes grandes realizadores, o redator concedeu um título:
JATOBÁ (Hymenaea courbaril) simboliza o sonho do prof. Samuel Rhea Gammon. Esta árvore secou em 1940.
Prospecto Instituto Gammon, sd. O Jatobá ficava junto ao muro do Instituto Gammon, na divisa com a Avenida Pedro Salles. O “Colégio Municipal de Lavras” mencionado na legenda fazia referência ao colégio Gammon, em um período em que esteve municipalizado.
ÓLEO-COPAÍBA (Copaifera langsdorffi): simboliza a realização do Prof. Benjamim Harris Hannicutt
ÓLEO DE COPAÍBA
Como velho habitante deste outeiro,
Dominavas sozinho este cenário,
Onde instalou trabalho pioneiro
Um jovem e idealista missionário,
Que projetou, com fé, belo roteiro
De erguer aqui um grande educandário,
A fim de que o teu porte sobranceiro
Não fosse eternamente solitário.
Eis que, ao lado da tua majestade,
Grandes obras surgiram, em profusão,
Compondo o sonho da Universidade.
Tornou-se fato a idéia alentadora
- Da qual és testemunho e tradição
Com tua sombra amiga e protetora!
Bi Moreira (junho de 76)
Jornal Tribuna de Lavras 8/9/1980
À SOMBRA DO ÓLEO DE COPAÍBA
Primitivo habitante deste outeiro
Sozinho dominavas o cenário
Onde instalou trabalho pioneiro
Um jovem e idealista missionário
Que projetou, com fé, audaz roteiro
De erguer aqui um grande educandário
A fim de que o teu porte sobranceiro
Não fosse eternamente solitário.
Eis que, ladeando a tua majestade
Grandes obras surgiram em profusão,
Compondo o sonho da Universidade.
Tornou-se fato a idéia alentadora
- Da que és testemunho e tradição
Com tua sombra amiga e protetora!
ESAL, 1976
(versão modificada, publicada em 1987)
Jornal Acrópole 05/09/1987
Imagens publicadas no jornal Acrópole em 05/09/1987
Óleo de Copaíba
Jatobá. Desenho de Silvestre Rondon Curvo
PALMEIRA-IMPERIAL (Roystonea oleraceae): simboliza a consolidação da Escola
OUTRAS ÁRVORES
Além das árvores e da palmeira, vieram tantas outras, levando à dinamização da escola por meio da federalização preconizada por Alysson Paulinelli em 1963, e à transformação em universidade, por Silas Costa Pereira em 1994. Desde então, muitas árvores e palmeiras vêm sendo plantadas, como um marco forte dessa universidade no Brasil.
No final da década de 1960, sob a orientação do professor Maurício de Souza, na área em frente ao prédio Dr. Odilon Braga, foram plantadas duas mudas de ipê-branco, uma de cada lado, pelas alunas Janice Guedes de Carvalho e Anamaria Carvalho de Souza. O ipê plantado ao lado direito do prédio não subsistiu e foi replantado em 2012. Janice Carvalho foi professora do Departamento de Solos, falecendo em 2013.
Sem identificação.
Ipê-branco
22/08/2008
Foto: Patricia Paiva
Por ocasião da inauguração da restauração da praça do Câmpus Histórico, em 6/9/2012, além dos dois ipês brancos já existentes, quatro mudas de ipê-amarelo foram plantadas nessa área, simbolizando as árvores do início da história e seus realizadores.
Professor aposentado, Fábio Cartaxo, plantou uma muda, simbolizando o sonho do professor Samuel Rhea Gammon
Reitor na época, professor Antonio Nazareno G. Mendes plantou uma muda, simbolizando a instalação da escola pelo professor Benjamim Harris Hannicutt
Ex-ministro, professor Alysson Paulinelli, plantou uma muda em alusão a sua dinamização no processo de federalização da Escola.
O Professor aposentado Silas Costa Pereira plantou uma muda em alusão a sua atuação no processo de transformação da ESAL em Universidade Federal de Lavras (UFLA)
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- Escrito por: Patrícia Duarte de Oliveira Paiva. Revisão editorial: Ana Eliza Alvim.
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A celebração do dia da árvore é realizada em todo o mundo, sendo uma importante ação para estimular o plantio de árvores e promover ações educativas sobre a importância dessas plantas. As datas escolhidas são no período da primavera em cada região do mundo, sendo, no Brasil, celebrado em 21 de setembro.
A comemoração do dia da árvore na EAL / ESAL era uma atividade social de responsabilidade do Centro Acadêmico de Agronomia. Um dos registros que se tem trata da comemoração realizada em 1936, com a presença de docentes, discentes, além de alunos do Colégio Carlota Kemper, Ginásio Municipal, Grupos Firmino Costa e Álvaro Botelho, além de imprensa e autoridades. Além de discurso, os formandos de 1936 fizeram o plantio de uma amendoeira, e os demais presentes convidados externos plantaram 65 mudas no Horto da Escola Agrícola.
Em outro registro datado de 1940, a celebração, com a presença de docentes e discentes, iniciou com a entoação do Hino Nacional, seguido de discursos e plantio de árvores pelos formandos. Conforme descrito pelos estudantes, o “Dia da Árvore – dia que nos toca tão de perto pois é aquele em que deixamos gravado no solo da nossa Escola o marco vivo da saudade, a árvore-símbolo dos que partem com o coração enternecido e cheio de esperanças em busca de um Brasil maior – o Brasil Agrícola” (O Agricultor, 1940).
Uma das poucas imagens disponíveis relativas à celebração do Dia da Árvore e plantio está publicada em Prospecto de 1942.
Atualidade
O plantio de árvores é uma atividade rotineira na Universidade Federal de Lavras (UFLA), sendo realizado por motivações diversas. Por exemplo, por ocasião dos 500 anos do descobrimento do Brasil, uma muda de pau-brasil foi plantada em frente ao prédio da antiga reitoria, sendo disposta uma placa alusiva no local.
Os formandos ainda mantêm a tradição de plantio de árvores, assim como fazem o plantio por ocasião do jubileu de suas formaturas (25 e 50 anos).
Jubileu de prata Formandos 1991. Data: setembro/2016. Foto: Patrícia Paiva.
Algumas fotos são encontradas em arquivos do Museu Bi Moreira, porém sem identificação, exceto o fato de estarem em uma pasta denominada “Grêmio”.
Plantio de árvore. A data na placa parece ser de 1938
Plantio de árvore
Plantio de árvores. Ao fundo, vê-se a estrada no mesmo traçado que ainda existe na subida para o Câmpus Histórico.
Plantio de árvores - o local parece ser a área de subida para o Câmpus Histórico. No lado oposto, vê-se a subida para o Instituto Gammon. Observa-se o trem passando na linha férrea existente neste local.
Plantio na área de subida para a Escola. Embaixo, vê-se o portão de entrada que foi construído em 1940.
Origem do Dia da Árvore
O dia da árvore foi proclamado em 1874 pelo governador do estado de Nebraska (Estados Unidos), Robert W. Furnas, sendo declarado o dia 10 de abril. Em 1885, o dia da árvore foi alterado para 22 de abril (além do clima favorável, homenagem ao aniversário de J. Morton) e declarado feriado no estado. A motivação para este evento iniciou-se por meio do jornalista Julius Sterling Morton e sua esposa Caroline que, mudando em 1854 para uma fazenda em Nebraska City, iniciaram o plantio de grande variedade de árvores e arbustos. Essa área ainda existe, sob a denominação de Arbor Day Farm. A casa ainda é preservada, assim como toda a área arborizada, além de possuir um hotel.
Arbor Day Farm, 2011. Foto: Patrícia Paiva
Entrada do Arbor Day Farm Hotel, 2011. Foto: Patrícia Paiva
Julius Morton criou o primeiro jornal da cidade, Nebraska City News, no qual ele publicava informações sobre árvores e sua importância ecológica, além de enfatizar a falta de arborização na localidade. Assim, em 1872, ele propôs um dia para que todos do estado pudessem plantar árvores, e assim então nasceu o dia da árvore.
Nos EUA, o dia da árvore é celebrado em datas diferentes para cada estado, sendo a primeira comemoração no estado de Nebraska.
No Brasil, a primeira celebração que se tem registro foi idealizada pelo sueco Alberto Lofgren, além de João Pedro Cardoso e Coelho Neto, na cidade de Araras-SP, sob o título de Festa das Árvores, em 1902. Depois muitas comemorações ocorreram, celebrando o dia da árvore. Em 1965 o então presidente Castelo Branco assinou um decreto (nº 55795, 24 de fevereiro de 1965) criando a festa Anual das Árvores em substituição ao Dia da Árvore, definido como data 21 de setembro, por estar próxima da primavera, para estados das regiões sul e sudeste. Estados das regiões Norte e Nordeste fariam a comemoração na última semana de março. Na EAL/ESAL, esta comemoração se tornou um evento tradicional muitos anos antes do decreto.
Referências
O Agricultor, 118, p.21 1936
O Agricultor, 134, p.39-43 1940
https://www.history.com/topics/holidays/the-history-of-arbor-day
https://www.arborday.org/celebrate/history.cfm#:~:text=Arbor%20Day%20was%20officially%20proclaimed,for%20its%20permanent%20annual%20observance.
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- Escrito por: Patrícia Duarte de Oliveira Paiva. Revisão editorial: Ana Eliza Alvim.
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